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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Deixa-me rir [688]


 


Deixa-me rir,

tu não querias que eu chorasse.

Vi-te nas ruas e no metro de Paris,

(com licença, meus amigos,

mas para a guerra não vou),

num piano aos oito anos,

à guitarra

a olhar para a tua amora morena

no lado errado da noite.

No ninho das águias

disseste a missa dos pássaros

e vi-te frágil quando dizias

encosta-te a mim.

Deste mais de 70 voltas ao sol

na terra dos sonhos

e não foste um homem invisível.

A gente vai continuar

à espera do fim

depois da tua viagem

na palma da mão.

Até lá, dá-me lume,

para ver bem o caminho

até à minha senhora solidão.

Deixa-me rir,

tu não querias que eu chorasse.

 

© Jaime Portela, Setembro de 2026

 

Poema em homenagem a Jorge Palma (Lisboa, 4 de junho de 1950 – 21 de setembro de 2026) foi um músico, cantor, poeta e compositor português.




9 comentários:

J.P. Alexander disse...

Melancólico poema. Te mando un beso.

Pedro Coimbra disse...

Primeira notícia que ouvi ontem logo pela manhã.
Que repouse em paz.
Um abraço

brancas nuvens negras disse...

Associo-me à homenagem.
Um abraço.

chica disse...

Poesia e homenagem lindas!
abraços, chica

silvia de angelis disse...

Un testo molto originale, e di bella lettura, gradito e apprezzato.
Buona giornata

Os olhares da Gracinha! disse...

Que delicadeza Jaime... obrigada 👏😘

Maria Rodrigues disse...

Um brilhante poema ao Grande Jorge Palma.
Abraços

Ana Tapadas disse...

Uma belíssima homenagem!
Um beijo, meu amigo

Olavo Marques disse...

Olá talentoso Jaime! Lindíssima forma de recordar e celebrar o grande Jorge Palma. Um poema simples, profundo e cheio de boas memórias musicais. Excelente tributo! Um forte abraço. 🤗