É
vossa
a
primavera que não para de crescer,
enquanto
as andorinhas
me
deixam e apenas ressurgem
quando
tento colher os frutos do vosso pomar.
São
vossos
os
olhos do tempo depois do meu tempo,
tal
como o silêncio noturno
do
estrondo dos dias será o som da madrugada
quando
o sono se transformar
numa
invernosa batalha perdida.
São
vossos
o
leito e as margens do rio de primaveras
enquanto
a alma vos crescer dos olhos
e
seguirdes pássaros com asas de luz
com
o mundo dentro das mãos.
© Jaime Portela, Setembro de 2019