Não
sei se sou uma aldeia
que
flutua, envergonhada, na firmeza das ideias
por
entre a incerteza das palavras,
se uma
cidade que deambula, meretriz,
na
clareza dos verbos
com
a boca na ambiguidade das ideias.
Em
todo o caso, debato-me enleado
na
força que não faço das fraquezas
e
sinto-me roubado no absurdo das certezas
perante
as verdades consertadas.
Serei
gota que perdura, imiscível,
num
mar de gente que da lua é igualzinha?
Ou
rio de evasão e permanência,
num
cacto que vive morto em quarentena
para
resistir à falta de água?
Ou
serei, estranhamente,
um
corpo só, que na poesia se arrima
para
melhor se calar?
Melhor
explicado, pois também
não
sei dizer tudo aquilo que não sou,
o
que sou, já nem eu sei.
© Jaime Portela, Junho de 2020