Escrevo
para que os teus olhos
fiquem
fora das órbitas
enquanto
te sufoco.
Faço-o
para te assaltar e beijar
à
medida que te descomponho
e te
possuo com as palavras
afiadas
pela tua imaginação.
O
que escrevo,
só
te sacode pelo som da tua voz,
pelo
convite da tua pele
para
que seja perfurada pelo toque
e
este se hospede, amplificado,
entre
o sangue
e a
medula do teu querer.
Solto
as palavras
e o
teu livre arbítrio vai respirá-las
até
que te controlem
e
tenhas que te despojar da pele
para
te libertares da seiva
que ameaça
eclodir,
até
que se torne insuportável
não
as ouvir com o olhar arregalado
no
delírio febril da perceção.
© Jaime
Portela, Fevereiro de 2022