Fico aqui a beijar o teu olhar,
que relembro envolto em brumas,
antes que o véu sombrio do inverno
confunda a memória da chama
que te alumia e resiste por dentro.
Fico aqui a estreitar-te pela cintura,
que ainda sinto
se recordo bolinares de afoitadas naus,
guinadas festivas de mar revolto
sem ferros nem freios,
de lemes brancos em bandeira.
Fico aqui a olhar o teu sorriso,
que me ofereceste
num rendilhado de promessas esmaltadas,
à boca de emoções desgovernadas
pelos nossos gestos em hálitos de sol.
Fico aqui à tua espera,
porque sei,
pássaro de fogo do cinzento despido,
que chegarás de feitiço no olhar,
vestida pelo fio, já não frio, do sorriso,
chama no espaço da luz que nos foge.
© Jaime
Portela, Julho de 2022