Lentamente, tudo ganhou forma
e se cobriu das mais variadas cores.
Terei sido eu o escultor ou o pintor
da obra de arte que representas?
O fio de água desce a montanha
por caminhos abruptos e,
a menos que seja impedido,
não tem outro destino
senão alargar-se até à foz.
No auge do seu caudal, deixa de ser rio
e passa a fazer parte do mar.
Apesar de já existires antes de te ver,
fui eu quem mais tarde te inventou.
Mas sei que deixei de existir, tal como fui,
desde que passei a fazer parte de ti.
Serás o rio que sozinho encheu o mar?
Ou o efeito que engoliu a sua causa?
© Jaime
Portela, Agosto de 2022