Não
me peças mais poemas
que
eu sou a desordem
assassina
e construtora dos meus eus,
de
alma em debandada e à procura
do
teu cálice.
Não
me peças mais poemas
que
eu sou o canto no deserto e no oásis
de
um palco sem auditório
repleto
de cegueira,
sem
cortina de fogo e vomitório.
Não
me peças mais poemas
que
a tua rosa é cadeia sem desonra,
é
saia comprida ainda sem rugas
da
liberdade de te amar
na desordem
dos meus e dos teus eus.
© Jaime Portela, Outubro de 2019