Na
praia da nossa rebentação,
construí
um cais equipado com espanta nevoeiros,
draguei
um ancoradouro sem baixios
e
levantei um farol para afugentar os naufrágios.
Tive
ainda o cuidado de espalhar argamassa no areal
para
que a nossa fortaleza não se desmoronasse.
Dei-te
bússolas e cartas mareantes,
assinalei
o penedo ladrão com uma boia vermelha
e
engalanei com bandeiras coloridas
os
mastros que havia no cais.
Tornei
o teu porto de abrigo um lugar demarcado
e aguardei
a tua chegada com a maré.
Nunca
chegaste.
Mas
é melhor que não chegues, deixei de te esperar
e de
rezar ao Senhor dos Mareantes.
Demoli
a fortaleza, o cais e o farol,
afundei
a boia vermelha e rasguei as bandeiras.
Mas,
se chegasses, reconstruiria tudo para ti
neste
cais do desespero.
© Jaime Portela, Agosto de 2020