Um lago sossegado reflete o céu
mas, no fundo imerso,
há enigmas que sempre virão à superfície
como o azeite.
A altivez que encobre a corrupção
tem mantos dourados,
ornamentados com palavras de glória
que escondem as sombras da história.
Quando o espelho protetor se quebra,
a imagem desfoca o enfeite
e o pânico leva à gaguez
ou à fuga para a frente
de uma arrogância acrescentada
num castelo feito de bravatas
e reptos para um duelo,
construindo um novo foco.
O riso torna-se fumaça, esconde a incerteza,
mas a verdade rasgará o véu e,
sob a fachada de força e honradez,
a essência surgirá despida e vergonhosa,
com o trono a ruir sob os seus pés.
Ou talvez não,
se o político corrupto tiver amigos na Justiça.
© Jaime Portela, Julho de 2025