Cresceste
em mim,
brisa
suave que não vergava a indecisão
a
embargar a voz,
a
esculpir com mão ignorada
uma
pergunta, um espaço
à
procura de espaço entre prisões.
No
embaraço, passeámos ignorantes
em
palavras de sinais impercetíveis
pintalgados
de nós,
que
nos envolviam no gesto involuntário
de
aprendiz, a submeter-nos legítimos
com
as nossas próprias teias.
Perplexos,
despertámos
num
céu-aberto ao desejo encarnado
[enevoado
por cegueiras falsas,
a
rirem-se do falho ensaio de vendas]
e
mergulhámos, sem o achar,
na
água doce da praia dos sentidos.
© Jaime Portela, Abril de 2020